┃PT┃
2025
Detalhes técnicos:
Tamanho variável; Instalações multimídia. A série reúne vídeo, fotografia experimental, impressão por sublimação, papel reciclado, colagem, estruturas em metal e madeira, tecidos em algodão, cordas de sisal e objetos reaproveitados. As obras articulam suportes bidimensionais e tridimensionais, combinando imagem, documento e matéria orgânica em composições instalativas.
Contexto Artístico:
Mangue: Ecos e Fantasmas reúne uma série de instalações multimídia que articulam fotografia experimental, cartas, telegramas, imagens de família, radiografias e laudos médicos. A partir desses materiais, investigo a relação entre ecologia e corpo, propondo que tanto o bioma quanto o organismo humano são constantemente atravessados por dispositivos de análise e previsão. Dados ambientais e exames clínicos operam de maneira semelhante: transformam probabilidades em projeções de futuro.
Como pessoa com deficiência e portadora da Síndrome de Marfan, convivo com diagnósticos genéticos que antecipam cenários possíveis para o meu corpo. Percentuais, riscos e laudos muitas vezes assumem um caráter quase oracular. Ao deslocar esses documentos para o campo da paisagem, especialmente do manguezal, transformo exame em fabulação e prognóstico em narrativa visual. O mangue, bioma central na região onde vivo, é analisado por índices climáticos e previsões ambientais da mesma forma que meu corpo é monitorado por estatísticas médicas.
O manguezal torna-se, então, metáfora estrutural da minha própria condição de entre-lugar. Assim como ele coexiste entre rio e mar, entre estabilidade e erosão, habito uma zona ambígua entre a percepção de um corpo normativo e a experiência cotidiana de mobilidade reduzida, cirurgias e acompanhamento constante. Mangue: Ecos e Fantasmas afirma essa zona de transição como potência, propondo que corpo e paisagem compartilham vulnerabilidade, memória e capacidade de reinvenção.
┃EN┃
2025
Technical Details:
Variable Size; Multimedia installations. The series brings together video, experimental photography, sublimation prints, recycled paper, collage, metal and wood structures, cotton textiles, sisal rope, and repurposed objects. The works articulate two- and three-dimensional supports, combining image, document, and organic material within installation-based compositions.
Artistic Context:
Mangue: Echoes and Phantoms brings together a series of multimedia installations combining experimental photography, letters, telegrams, family images, X-rays, and medical reports. Through these materials, I investigate the relationship between ecology and the body, proposing that both biomes and human organisms are continuously shaped by systems of analysis and prediction. Environmental data and clinical exams operate similarly: they transform probabilities into projected futures.
As a person with a disability and diagnosed with Marfan Syndrome, I live with genetic reports that anticipate possible scenarios for my body. Percentages, risks, and prognoses often assume an almost oracular character. By displacing these documents into the realm of landscape, particularly the mangrove ecosystem, I transform diagnosis into fabulation and prognosis into visual narrative. The mangrove, a central biome in the region where I live, is monitored through climate projections much like my body is tracked through medical statistics.
The mangrove thus becomes a structural metaphor for my own condition of in-betweenness. Just as it exists between river and sea, between stability and erosion, I inhabit an ambiguous space between the perception of a normative body and the lived experience of reduced mobility, surgeries, and continuous monitoring. Mangue: Echoes and Phantoms affirms this transitional zone as a site of narrative and political potency, where body and landscape share vulnerability, memory, and the capacity for reinvention.
Realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc. Operacionalização: Secretaria de Estado da Cultura - Governo do Estado da Paraíba. Paraíba, 12 de dezembro de 2025. Também selecionado no O projeto Lab Ocupação Artes Visuais com recursos da Lei Rouanet, através da Energisa.
Made with resources from the Aldir Blanc National Policy. Operationalization: State Secretariat of Culture - Government of the State of Paraíba. Paraíba, December 12, 2025. Also selected in the Visual Arts Occupation Lab project with resources from the Rouanet Law, through Energisa.
Instalações da série Mangue: Ecos e Fantasmas, 2025. Lonelas. Estúdio da artista, João Pessoa, Paraíba, Brasil. Fotos: Lonelas./ Installations from the series Mangue: Echoes and Phantoms, 2025. Lonelas. Artist’s studio, João Pessoa, Paraíba, Brazil. Photos: Lonelas.
"Oráculo Serpentina" e "A Cadeira", 2025. Lonelas. Usina Cultural Energisa, João Pessoa, Paraíba, Brasil. Fotos: Pedro Anísio. / "Oráculo Serpentina" and "A Cadeira", 2025. Lonelas. Usina Cultural Energisa, João Pessoa, Paraíba, Brazil. Photos: Pedro Anísio.
"Oráculo Serpentina" e "A Cadeira", 2025. Lonelas. Usina Cultural Energisa, João Pessoa, Paraíba, Brasil. Fotos: Lonelas. / "Oráculo Serpentina" and "A Cadeira", 2025. Lonelas. Usina Cultural Energisa, João Pessoa, Paraíba, Brazil. Photos: Lonelas.
A obra Oráculo Serpentina, foi desenvolvida durante uma imersão artística na residência Arapuca, localizada na cidade de Conde (PB), como parte de um laboratório imersivo conduzido pelo artista e curador Serge Hout. O processo aprofundou investigações já presentes na minha pesquisa de mestrado sobre manguezal, corpo e paisagem.
Durante o laboratório, fomos orientados a dialogar com o Manifesto do Rio Negro, texto que propõe uma reflexão ética e estética sobre natureza, destruição ambiental e responsabilidade humana. A partir desse referencial, a fabulação tornou-se ferramenta central para pensar a obra como organismo, território e linguagem.
The work Oráculo Serpentina, was developed during an artistic immersion at Arapuca Residency, located in the city of Conde (PB), as part of an immersive laboratory led by artist and curator Serge Hout. The process deepened investigations already present in my master's research on mangrove ecosystems, body, and landscape.
During the laboratory, we were encouraged to engage with the Manifesto do Rio Negro, a text that proposes an ethical and aesthetic reflection on nature, environmental destruction, and human responsibility. From this reference, fabulation became a central tool for thinking about the artwork as organism, territory, and language.
Arapuca Arte Residência, 2025. Conde, Paraíba, Brasil. Fotos: Lonelas. / Arapuca Residency, 2025. Conde, Paraíba, Brazil. Photos: Lonelas.